Dr Vítor Eugênio – Urologista | BH

Entendendo a Ressonância da Próstata e PIRADS

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Dr Vítor Eugênio Ribeiro

Dr Vítor Eugênio Ribeiro

Especialista em Urologia e Cirurgia Robótica.

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O PSA é um exame de sangue que mede uma proteína produzida pela próstata, esse exame tem um papel fundamental no rastreamento do câncer de próstata. Por outro lado ele não é um exame perfeito: pode estar alto sem haver câncer e pode estar normal mesmo com câncer presente. Ferramentas como a densidade do PSA, a velocidade de progressão e a fração livre ajudam a refinar a interpretação. Quando o PSA gera preocupação, o próximo passo é a ressonância magnética multiparamétrica da próstata (RMmp).

1. O que é a ressonância magnética multiparamétrica de próstata?

A palavra “multiparamétrica” significa que o exame combina múltiplas sequências de imagem, cada uma avaliando um aspecto diferente do tecido prostático. É como olhar a mesma paisagem com óculos de cores diferentes — cada lente revela detalhes que as outras não mostram. [1-3]

As três sequências principais são:

  • T2 (imagem ponderada em T2) — Mostra a anatomia da próstata em alta definição. Permite ver o contorno da glândula, diferenciar a zona periférica (onde surgem ~70% dos cânceres) da zona de transição (onde ocorre a hiperplasia benigna), e identificar se há extensão do tumor para fora da cápsula prostática. [1][4]
  • DWI (imagem ponderada em difusão) — Avalia a movimentação das moléculas de água dentro do tecido. Tecidos muito compactos e celulares, como tumores, restringem essa movimentação. O mapa ADC (coeficiente de difusão aparente) derivado da DWI é a sequência mais importante para detectar câncer na zona periférica. [1][5]
  • DCE (imagem com contraste dinâmico) — Após a injeção de contraste (gadolínio) na veia, avalia como o tecido capta e libera o contraste ao longo do tempo. Tumores tendem a captar contraste mais rapidamente que o tecido normal. Essa sequência tem papel complementar, especialmente para lesões duvidosas na zona periférica. [1][5-6]

A seguinte figura ilustra como as diferentes sequências se complementam para gerar uma avaliação integrada:

Computer Aided‐Diagnosis of Prostate Cancer on Multiparametric MRI: A Technical Review of Current Research. Biomed Res Int. May 26, 2014.

Uma alternativa mais curta é a RMbiparamétrica (apenas T2 + DWI, sem contraste), que reduz o tempo de exame de 30–40 para 15–20 minutos. O estudo PRIME (JAMA, 2025) mostrou que a RMbiparamétrica tem desempenho semelhante à multiparamétrica para detecção de câncer clinicamente significativo, embora a sequência com contraste possa agregar valor em lesões duvidosas e no estadiamento. [4][6]

2. Entendendo a classificação PIRADS

ara padronizar a interpretação e a comunicação entre radiologistas e urologistas, foi criado o sistema PI-RADS (Prostate Imaging Reporting and Data System), atualmente na versão 2.1. [6][8] Cada lesão identificada na ressonância recebe uma pontuação de 1 a 5:

PI-RADSSignificadoTaxa de câncer clinicamente significativoReferências
1Muito improvável~3–6%[1-3]
2Improvável~5–9%[1-3]
3Equívoco (duvidoso)~16–20%[1-4]
4Provável~46–54%[1-4]
5Muito provável~75–89%[1-4]

Essa classificação é fudamental pois mede a probabilidade de que essa alteração signifique um câncer detectado na biópsia.

3. Quando é necessário realizar uma biópsia de próstata?

As diretrizes NCCN 2026 classificam a RMmp como recomendação categoria 1 (mais alto nível de evidência e consenso) antes da biópsia. [14] O algoritmo de decisão funciona assim:

  • PI-RADS 1–2 (baixa suspeita): Em geral, a biópsia pode ser evitada. Porém, uma ressonância negativa não exclui completamente o câncer. A decisão de não biopsiar deve considerar a densidade do PSA, biomarcadores e calculadoras de risco. [14]
  • PI-RADS 3 (equívoco): Zona cinzenta. A decisão é individualizada, levando em conta densidade do PSA, fração livre, biomarcadores e fatores de risco clínicos. [14-15]
  • PI-RADS 4–5 (alta suspeita): Biópsia é fortemente recomendada, preferencialmente com direcionamento por fusão de imagens (MRI/ultrassom). [14]

É muito importante entenderque caso haja uma suspeita muito forte de câncer de próstata, isso é, um PSA muito alto, uma densidade de PSA alta, alteração importante no exame de toque retal, a biópsia de próstata deve ser feita mesmo em situações de PIRADS 1-2 pois ainda existe detecção de câncer nessas faixas.

4. Definindo o tipo de biópsia de próstata: fusão x sistemática

Historicamente, a biópsia da próstata era feita “às cegas” — 10 a 12 fragmentos colhidos de forma sistemática, sem saber exatamente onde estava o tumor. Com a ressonância, surgiu a biópsia por fusão, que sobrepõe as imagens da RM ao ultrassom em tempo real, permitindo direcionar a agulha exatamente para a lesão suspeita. [16-17]

Os grandes estudos que consolidaram essa abordagem:

  • PRECISION (NEJM, 2018): Em 500 homens sem biópsia prévia, a estratégia com RM + biópsia direcionada detectou 38% de cânceres clinicamente significativos vs. 26% com biópsia sistemática, e encontrou menos cânceres insignificantes (9% vs. 22%). Cerca de 28% dos homens evitaram a biópsia por terem RM negativa. [17]
  • MRI-FIRST (Lancet Oncology, 2019): Realizou ambas as técnicas nos mesmos pacientes e mostrou que um terço dos cânceres clinicamente significativos foi detectado por apenas uma das técnicas, sugerindo que a combinação de biópsia direcionada + sistemática oferece o melhor rendimento diagnóstico. [18]
  • Meta-análise VISION (European Urology, 2025): Análise de dados individuais dos estudos PRECISION e PRECISE confirmou que a estratégia com RM detecta 8,7 pontos percentuais a mais de câncer clinicamente significativo e 12,3 pontos percentuais a menos de câncer insignificante em comparação com a biópsia sistemática isolada. [19]

A seguinte figura do estudo de Ahdoot et al. (NEJM, 2020) ilustra como as diferentes estratégias de biópsia se complementam na detecção de diferentes graus de câncer, demonstrando a eficiência do método combinado:

Figure 2. Prostate Cancer Detection According to Biopsy Method.
MRI-Targeted, Systematic, and Combined Biopsy for Prostate Cancer Diagnosis. N Engl J Med. March 4, 2020.

A maioria das diretrizes atuais recomenda a abordagem combinada (biópsia direcionada + sistemática), pois alguns cânceres de alto grau são detectados exclusivamente pela biópsia sistemática. [14][20]

5. Limitações e armadilhas da Ressonância Magnética

A ressonância é uma ferramenta poderosa, mas não é perfeita. É fundamental que a plateia entenda suas limitações:

5.3 – Falsos negativos (RM normal, mas há câncer):

  • Cânceres pequenos, de baixo volume e baixo grau podem ser invisíveis à RM. [21-22]
  • Lesões na zona anterior e no ápice da próstata são mais difíceis de detectar. [23-24]
  • A experiência do radiologista importa muito: radiologistas com maior volume de leituras (>50/ano) têm significativamente menos falsos negativos. A sensibilidade com leitura por radiologistas experientes chega a 79%, mas cai para 55% com leitores locais menos experientes. [8][21]
  • O valor preditivo negativo da RM para câncer clinicamente significativo é de aproximadamente 88% — ou seja, cerca de 12% dos cânceres significativos podem ser perdidos. [22]

5.4 – Falsos positivos (RM suspeita, mas não há câncer):

  • Prostatite, hemorragia pós-biópsia, nódulos de hiperplasia benigna e o estroma fibromuscular anterior podem mimetizar câncer na RM. [23-25]
  • Em um estudo com 1.269 pacientes, 14,3% dos casos com PI-RADS 4–5 tiveram biópsia negativa.

5.5 – Variabilidade entre leitores:

  • A concordância entre radiologistas para o PI-RADS 2.1 é moderada (kappa ~0,64–0,70), melhor que versões anteriores, mas ainda imperfeita. [8][24]
  • Lesões PI-RADS 3 são as mais sujeitas a discordância. [24]

6 – A Ressonância na Vigilância Ativa do Câncer de Próstata

Para cânceres de próstata de baixo risco, muitos pacientes optam pela vigilância ativa — acompanhar o tumor de perto em vez de tratar imediatamente. A RM tem papel crescente nesse cenário: [3][26]

  • As diretrizes NCCN 2026 recomendam considerar RM repetida não mais frequentemente que a cada 12 meses durante a vigilância ativa. [3]
  • O sistema PRECISE (versão 2) padroniza a avaliação de mudanças na RM ao longo do tempo, usando uma escala de 1 a 5: pontuações 1–3 indicam estabilidade/regressão, e 4–5 indicam progressão radiológica. [26-28]
  • Em um estudo com 553 pacientes, 95% dos pacientes sem progressão radiológica (PRECISE 1–3) também não tiveram progressão clínica, sugerindo que muitos poderiam evitar biópsias de rotina. [29]
  • Entretanto, a RM sozinha ainda não substitui a biópsia na vigilância ativa. Um estudo recente em JAMA Oncology mostrou que o valor preditivo negativo da RM para excluir câncer Grupo de Grau ≥2 foi de apenas 75% na biópsia confirmatória, reforçando que biópsias periódicas continuam necessárias. [30]

7- Mensagem chave

  1. A ressonância magnética multiparamétrica combina três “olhares” diferentes (anatomia, difusão de água e perfusão com contraste) para avaliar a próstata de forma muito mais detalhada que qualquer outro exame de imagem. [1][3]
  2. O sistema PI-RADS (1 a 5) traduz os achados da RM em uma linguagem padronizada de risco, orientando a decisão sobre biópsia. [8-9]
  3. biópsia por fusão (RM + ultrassom) detecta mais cânceres clinicamente significativos e menos cânceres insignificantes do que a biópsia tradicional. [17][20]
  4. A RM não é infalível — cânceres pequenos podem passar despercebidos, e condições benignas podem simular câncer. A qualidade do exame e a experiência do radiologista são determinantes. [8][21]
  5. Na vigilância ativa, a RM ajuda a monitorar o tumor ao longo do tempo, mas ainda não substitui a biópsia como ferramenta definitiva de acompanhamento. [3][30]

8 – Referências ( Artigos científicos )

1.Multiparametric MRI in Biopsy Guidance for Prostate Cancer: Fusion‐Guided. BioMed Research International. 2014. Rothwax JT, George AK, Wood BJ, Pinto PA

2. The Evolution of Prostate Multiparametric MRI and Its Application in Prostate Cancer Clinical Management. International Journal of Urology : Official Journal of the Japanese Urological Association. 2026. Tamada T, Takeuchi M, Moriya K, et al

3. Prostate Cancer. National Comprehensive Cancer Network. Updated 2026-01-23.

4.Clinically Localized Prostate Cancer: AUA/­ASTRO Guideline (2022; Amended 2026).The Journal of Urology. 2026. American Urological Association

5. Validation of the Dominant Sequence Paradigm and Role of Dynamic Contrast-Enhanced Imaging in PI-RADS Version 2. Radiology. 2017. Greer MD, Shih JH, Lay N, et al.

6.Biparametric vs Multiparametric MRI for Prostate Cancer Diagnosis. The Journal of the American Medical Association. 2025. Ng ABCD, Asif A, Agarwal R, et al.

7.Computer Aided‐Diagnosis of Prostate Cancer on Multiparametric MRI: A Technical Review of Current Research. BioMed Research International. 2014. Wang S, Burtt K, Turkbey B, Choyke P, Summers RM.

8.Early Detection of Prostate Cancer: AUA/­SUO Guideline (2023, Amended 2026). The Journal of Urology. 2026. American Urological Association

9.Update on PI-RADS Version 2.1 Diagnostic Performance Benchmarks for Prostate MRI: Systematic Review and Meta-Analysis. Radiology. 2024. Oerther B, Nedelcu A, Engel H, et al.

10. Cancer Detection Rates of the PI-RADSv2.1 Assessment Categories: Systematic Review and Meta-Analysis on Lesion Level and Patient Level. Prostate Cancer and Prostatic Diseases. 2022. Oerther B, Engel H, Bamberg F, et al.

11. PI-RADS Version 2.1 for Prostate MRI Interpretation: Associations of Study Quality and Cancer Detection Metrics-a Systematic Review and Meta-Analysis. AJR. American Journal of Roentgenology. 2026. Nedelcu A, Oerther B, Benkendorff A, et al.

12. Risk Stratification of Prostate Cancer According to PI-RADS® Version 2 Categories: Meta-Analysis for Prospective Studies. The Journal of Urology. 2020. Park KJ, Choi SH, Lee JS, et al.

13. Correlative Approach to Prostate Imaging. Radiology‐Nuclear Medicine Diagnostic Imaging. 2023. Soheil Kooraki, Hossein Jadvar

14.Prostate Cancer Early Detection. National Comprehensive Cancer Network. Updated 2026-02-18.

15. Imaging in Diagnosis and Active Surveillance for Prostate Cancer. JAMA Surgery. 2025. Li T, Nalavenkata S, Fainberg J.

16. MRI-Targeted, Systematic, and Combined Biopsy for Prostate Cancer Diagnosis. The New England Journal of Medicine. 2020. Ahdoot M, Wilbur AR, Reese SE, et al.

17. MRI-Targeted or Standard Biopsy for Prostate-Cancer Diagnosis. The New England Journal of Medicine. 2018. Kasivisvanathan V, Rannikko AS, Borghi M, et al.

18. Use of Prostate Systematic and Targeted Biopsy on the Basis of Multiparametric MRI in Biopsy-Naive Patients (MRI-FIRST): A Prospective, Multicentre, Paired Diagnostic Study. The Lancet. Oncology. 2019. Rouvière O, Puech P, Renard-Penna R, et al.

19. VISION: An Individual Patient Data Meta-Analysis of Randomised Trials Comparing Magnetic Resonance Imaging Targeted Biopsy With Standard Transrectal Ultrasound Guided Biopsy in the Detection of Prostate Cancer. European Urology. 2025. Kasivisvanathan V, Wai-Shun Chan V, Clement KD, et al.

20. Magnetic Resonance Imaging-Targeted Biopsy Versus Systematic Biopsy in the Detection of Prostate Cancer: A Systematic Review and Meta-Analysis. European Urology. 2019. Kasivisvanathan V, Stabile A, Neves JB, et al.

21. Clinical and Reader Associated Correlates of Clinically Significant Magnetic Resonance Imaging-Invisible Prostate Cancer Based on Negative Scans. The Journal of Urology. 2026. Schnauss M, Handa N, Nateghi R, et al.

22. What Is the Negative Predictive Value of Multiparametric Magnetic Resonance Imaging in Excluding Prostate Cancer at Biopsy? A Systematic Review and Meta-Analysis From the European Association of Urology Prostate Cancer Guidelines Panel. European Urology. 2017. Moldovan PC, Van den Broeck T, Sylvester R, et al.

23. Diagnostic Discordances in Multiparametric Prostate Magnetic Resonance Imaging: A Retrospective Analysis of PI-RADS Scores and Follow-Up Imaging. Medicine. 2025. Kılınç RM, Akbay B, Bulut F.

24.Navigating PI-RADS V2.1 in Clinical Practice: Pitfalls, Variability, and the Supportive Role of AI. Abdominal Radiology. 2026. Aslan S, Tasdemir MN, Edo H, et al.

25. Prostate Cancer and Its Mimics-a Pictorial Review. Cancers. 2023. Żurowska A, Pęksa R, Bieńkowski M, et al.

26. MRI for Active Surveillance in Prostate Cancer: How I Do It. Radiology. 2026. Giganti F, Allen C, Dickinson L, et al.

27.Update on Multiparametric Prostate MRI During Active Surveillance: Current and Future Trends and Role of the PRECISE Recommendations. AJR. American Journal of Roentgenology. 2021. Giganti F, Kirkham A, Allen C, et al.

28.PRECISE Version 2: Essential Tips for Prostate Cancer Monitoring Using MRI. Radiographics : A Review Publication of the Radiological Society of North America, Inc. 2026. Ogata A, Brembilla G, Dias AB, et al.

29. Natural History of Prostate Cancer on Active Surveillance: Stratification by MRI Using the PRECISE Recommendations in a UK Cohort. European Radiology. 2021. Giganti F, Stabile A, Stavrinides V, et al.

30. Magnetic Resonance Imaging or Confirmatory Biopsy for Patients With Prostate Cancer Receiving Active Surveillance. JAMA Oncology. 2026. Cooperberg MR, Bihn JR, Culnan JM, et al

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Dr Vitor Eugenio Ribeiro

“Meu objetivo é proporcionar a cada paciente a confiança de que estão recebendo atenção médica da mais alta qualidade, embasada em conhecimento atualizado e técnicas de ponta.”

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DEPOIMENTOS

O que dizem os pacientes

Dr. Vitor foi extremamente atencioso no meu atendimento e acompanhamento. Teve disponibilidade, estabelecendo contato para caso eu precisasse de algum apoio e sempre respondendo com agilidade às mensagens, oferecendo orientações detalhadas. Quando precisei fazer um procedimento cirúrgico foi ao hospital no domingo, dando continuidade ao atendimento prontamente. Proativo em perguntar sobre como eu estava me sentindo após o procedimento e indicar outros especialistas que serão necessários.

Marilia Carneiro

Muito atencioso e bem detalhista em relação a doença e ao procedimento cirúrgico,pontual e interessado.
Gostei e recomendo.

Marcos Antônio De Resende

Desconheço médico e equipe mais atenciosos! Que zelo, cuidado, carinho e atenção .
Super disponíveis. Maravilhosos!
Muito obrigada !
Mais que recomendo ! O melhor!

Thais Vitor Campelo

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